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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Orgasmo e posições: tire 10 dúvidas sobre sexo na gravidez

A gravidez é um período de mudanças físicas e psicológicas que geram uma série de dúvidas para as mulheres e seus parceiros. Além dos novos hábitos alimentares, ansiedade com a chegada do bebê e alguns desconfortos, é preciso atenção para não deixar a vida sexual de lado. Afinal, fazer sexo durante a gravidez pode machucar o feto? Quais as melhores posições sexuais durante a gestação? É verdade que o desejo diminui nessa fase? Para responder essas e outras dúvidas, o Terra conversou com especialistas no assunto e descobriu que fazer sexo nos meses que antecedem o parto não é um bicho de sete cabeças. Confira a seguir.
O sexo durante a gravidez é seguro e liberado?
Sim, Se for uma gravidez normal, o sexo é seguro, liberado e recomendado. “Existem trabalhos científicos que mostram que o sexo é bem vindo na gravidez, tanto fisicamente como emocionalmente. A gestação ocorre durante o exercício da sexualidade e por isso, manter esse exercício é manter um vínculo efetivo do casal”, explica ginecologista, obstetra e sexóloga Ana Paula Junqueira Santiago, do Hospital São Camilo.
De acordo com a ginecologista, se você restringir a sexualidade durante esses nove meses, acaba limitando o relacionamento. “Por isso, quando o obstetra contraindica, é importante que ele mostre que existem maneiras de ter uma relação sexual sem penetração justamente para não acabar com essa troca de olhares e carinho”.
O desejo pode diminuir ou aumentar com a gestação?
Sim. A mulher passa por várias fases durante a gravidez, com mudanças físicas e emocionais.
Até o 3º mês: nesse período, há uma diminuição do desejo por uma questão física, hormonal e psicológica. Com as mudanças hormonais, o corpo responde muitas vezes com náuseas, cansaço, inchaço, sono e situações que dificultam as relações. Além disso, a ansiedade, insegurança e medo de perda também influenciam. “O aborto espontâneo é uma condição mais comum no primeiro trimestre. Existe o mito de que a sexualidade favorece essa perda. Apesar de não ser verdade, a partir do momento em que a mulher descobre a gravidez, só deve ter relações quando for liberada por um médico”, orienta Ana Paula.
Do 3º ao 6º mês: nessa fase, a sexualidade melhora em 80%. Isso porque, os desconfortos do primeiro trimestre diminuem, aumenta a disposição, melhora a autoestima, os seios crescem e a pele e o cabelo ficam mais bonitos. Além disso, há uma adaptação com as mudanças hormonais e a mulher começa a sentir movimentação do feto, o que melhora a confiança na gestação.
Do 6º ao 9º mês: o final da gravidez é marcado por inchaço, limite máximo físico, cansaço e ansiedade com a chegada do bebê. Nessa fase, o melhor é conversar com o parceiro e entender os limites de cada um. “O histórico de sexualidade também influencia. Existem as alterações físicas e hormonais, mas a mulher que tem uma familiaridade menor com o sexo ou não aprendeu a gostar, vai ter a gravidez como pretexto para deixar de se envolver com o parceiro”, explica a terapeuta sexual Walkíria Fernandes.
É verdade que o pênis pode machucar o bebê?
Não. Durante a relação, o pênis é introduzido no canal vaginal enquanto o embrião fica na cavidade intrauterina, protegido por uma bolsa de líquido amniótico. Da cavidade do útero até o canal vaginal, tem o colo uterino. Então não é possível que o pênis tenha contato com o bebê.
O orgasmo pode estimular o parto?
Não, desde que a gravidez esteja em condições normais. Essa dúvida pode surgir porque durante o fim do segundo trimestre e começo do terceiro, é comum que as mulheres tenham contrações após fazer alguns exercícios. “São chamadas de contrações de Braxton Hicks e não são dolorosas. Como as mulheres percebem após a relação, podem achar que o sexo faz mal, mas não é verdade”, explica Ana Paula.
Quais problemas podem restringir a vida sexual da grávida?
Sangramento é o primeiro sinal vermelho. Se a gestante tiver perda de sangue precisa evitar a relação até orientação médica. Outros fatores que restrigem a vida sexual durante a gravidez são incompetência istmo cervical - quando o colo fica aberto e pode provocar aborto -, rotura de bolsa – que diminui a proteção do feto -, e deslocamento prematuro da placenta. “Há também fatores relativos, como infecções urinárias, viroses, quadros em que a paciente precisa fazer repouso, preparo para exames do pré-natal, depressão ou anemia. Nesses casos, pode namorar, mas o pênis não pode penetrar na vagina. As carícias e masturbação estão liberadas”, aconselha Ana Paula.
Quais as melhores posições sexuais?
Cada casal tem um hábito sexual, mas durante a gravidez é preciso procurar posições que não prejudiquem a mulher ou causem desconforto. “O importante é não fazer peso na barriga e não escolher posições em que o encaixe é mais profundo, como a de quatro”, aconselha Walkíria. Por isso, a mais recomendada é a posição de lado, em que a mulher pode ter a ajuda de um travesseiro para apoiar a barriga e consegue controlar a penetração.
O sexo anal é proibido durante a gravidez?
O sexo anal não é proibido durante o período gestacional, mas merece cuidado redobrado porque aumenta o risco de infecções. Portanto, o indicado é sempre usar preservativo e lubrificante. “Outra dica importante é beber muita água e fazer xixi antes e depois da relação, tanto o homem quanto a mulher. Isso ajuda a manter a via urinária limpa e evita problemas”, afirma Ana Paula.
É mais difícil ter orgasmo durante a gravidez?
Sim. No geral, as mulheres têm mais dificuldade para relaxar e atingir o orgasmo durante a gravidez, mas não é uma regra. “O contrário também pode acontecer. Algumas mulheres têm orgasmo pela primeira vez durante esse período. Normalmente, aquelas que tiveram medo de engravidar a vida toda aproveitam essa fase para relaxar mais no sexo”, conta a obstetra.
Como lidar com as mudanças físicas para se sentir sexy durante a gravidez?
Algumas mulheres se incomodam com os quilinhos a mais, as mudanças do corpo e se sentem menos sexy durante a gravidez. Nessa hora, o melhor é se identificar com a situação e incorporar a nova identidade. “Gravidez não é doença, mas altera os hormônios e traz mudanças. O seio passa a ser peito, a barriga cresce, mas é temporário. É importante entender que esse é um período transitório e que ela está usufruindo do corpo de outra forma, para gerar uma vida”, aconselha Walkíria.
Quando voltar a ter relações após o parto?
Tudo depende da via de parto e do pós-operatório. No geral, as mulheres estão liberadas para as relações sexuais cinco semana após o nascimento do bebê. Nessa fase, segundo Ana Paula, é importante que a mulher escolha as posições e o parceiro respeite os limites, porque o hormônio que produz leite diminui a lubrificação vaginal.

sábado, 25 de agosto de 2012

Documentário Meninas

SINOPSE DO DOCUMENTÁRIO 
No dia em que completa 13 anos, Evelin descobre que está grávida de seu namorado, um rapaz de 22 anos que acaba de se desligar do tráfico de drogas para o qual trabalhava na Rocinha, Rio de Janeiro, onde vivem. A gravidez não a impede de continuar sendo a garota de sempre.
A possibilidade de um aborto nem passou pela cabeça de Luana, 15 anos, quando ela descobriu que estava grávida. Órfã de pai, Luana vive com quatro irmãs e a mãe em uma casa onde só há mulheres. Desde cedo ajuda a mãe a criar as irmãs mais novas, e há meses vinha alimentando a ideia de ter um filho “só para ela”.
Edilene não planejou nem evitou sua gravidez. Tampouco o fez sua mãe. Agora, mãe e filha estão grávidas. Edilene espera um filho de Alex, por quem é apaixonada. Alex engravidou ao mesmo tempo sua vizinha, Joice, de 15 anos. Edilene, aos 14 anos e grávida, já vai viver o drama de um triângulo amoroso.
As meninas do documentário:
Evelin tem 13 anos, cabelos longos encaracolados é muito vaidosa e vive na Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, com sua mãe, Rose, e seu irmão Everton. Seu pai, Gentil, vive com outra mulher e trabalha como motoboy. Rose é manicure, babá e vende produtos de beleza. Evelin deixou a escola na quinta série, gosta de andar na moda e ir ao baile funk.
Edilene tem 14 anos e mora em Engenheiro Pedreira, na casa de Lúcia, mãe de Alex. O rapaz tem 21 anos, trabalha como ajudante de marceneiro e engravidou ao mesmo tempo Joice, sua ex-namorada. Assim que seu filho nascer, Edilene vai morar com sua mãe, Maria José, que também está grávida. Edilene já com 14 anos sofre com um triangulo amoroso e não aceita a gravidez da ex namorada de Alex, é muito quieta, mas ao mesmo tempo sonhadora.
Joice vive com a mãe, o pai e um irmão mais novo em Engenheiro Pedreira, Baixada Fluminense. A gravidez aos 15 anos significou para ela o fim de seu sonho de entrar para a Marinha, pois para alistar-se na Marinha tem que ser solteira e sem filhos, Joice é apaixonada por Alex e engravidou para tentar "prender" o ex namorado, o que não deu certo, pois este se diz apaixonado por Edilene.

Luana tem 15 anos, mora no Morro dos Macacos, zona norte do Rio de Janeiro, e é a filha mais velha de uma família de 6 mulheres: sua mãe, viúva, sustenta sozinha as cinco filhas e vê na gravidez de Luana a possibilidade de finalmente ter um “homem” dentro de casa, Luana diz que a sua gravidez foi panejada, pois seu sonho era ter um filho

3 anos depois desse documentário, o Governo do Rio de Janeiro realiza uma campanha com a cantora de Funk Perla de prevenção a Gravidez na adolescência e as meninas do documentário Edilene e Joyce aparecem grávidas do 2º filho e dando um depoimento sobre como foi para elas ser mãe tão novinhas, elas relatam que não usam preservativo que não gostam e que a chegada do filho mudou e muito a vida delas e que ambas não voltaram mais para a escola.

Minha opinião: 
Bom, o documentário é maravilhoso já assistir umas 3 vezes e sempre assisto quando tenho tempo. No documentário mostra a triste realidade de algumas meninas, mas que também aprenderam muito com a vida. Espero que vocês gostem. Porque eu recomendo. 


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Como fica o psicológico de uma adolescente grávida


Como lidar com a chegada inesperada de um bebê na adolescência? Conversamos com psicólogas para esclarecer o que acontece nesse momento, como agir e o que esperar
A gravidez mexe com todo o corpo da mulher. Mudam a vida, os hábitos, os sonhos e os objetivos. Imagine tantas transformações em um corpo que ainda não está bem formado, como o da adolescente. Some a isso o fato de que a adolescência é um período de crescimentos, mudanças e transformações.
1. O que muda na vida de uma menina que engravida na adolescência?
“A gravidez na adolescência acarreta várias mudanças do ponto de vista individual, familiar e social. Ao engravidar, a adolescente terá a dupla tarefa de lidar com as transformações próprias da sua adolescência e as da maternidade, assumindo responsabilidades e papéis de adulta antes da hora. Isso representa uma sobrecarga física e emocional. É um período de difícil processo de adaptação a uma situação imprevista e inesperada”, explica Márcia Rios Ferreira Perigo, psicóloga do Programa de Assistência Médica e Psicológica à Mulher Adolescente da Faculdade de Medicina do ABC.

2. Muda a vida escolar?
A psicóloga Márcia Rios Ferreira Perigo explica que muda, sim. “A adolescência é a fase em que a pessoa se encontra – ou deveria se encontrar – no processo de formação escolar e de preparação para o mundo de trabalho. A ocorrência de uma gravidez nessa fase significa o atraso ou até mesmo a interrupção desse processo. A maternidade precoce está relacionada ao abandono escolar, às restrições das opções de vida, das oportunidades de inserção no mercado de trabalho. Quanto menos escolarizada e qualificada for a mão de obra, menores são as chances de sua inserção no competitivo mercado de trabalho.” Anna Chiesa, consultora da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e professora do Departamento de Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, completa: “A gravidez costuma afetar, sim, a vida escolar. Porém é bom lembrar que, em muitos casos, a gravidez acontece depois que a menina abandonou os estudos, ou seja, ela não é necessariamente a causa da evasão escolar”.

3. É comum que meninas que nasceram quando as mães eram muito novas repitam o comportamento?
“Sim, é bastante frequente que filhas de mães adolescentes sejam também mães adolescentes. A justificativa psicológica se apoia em uma tentativa de poder compreender a sua história pela repetição do evento”, explica Ana Merzel, psicóloga do hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. A psicóloga Márcia Rios Ferreira Perigo concorda e acrescenta: “A família é o primeiro grupo de referência do indivíduo, sendo responsável por manter e reforçar padrões de comportamentos. As adolescentes se subordinam às influências familiares no qual estão inseridas. As adolescentes repetem padrões de comportamento de suas mães ou de algum parente muito próximo”.

4. A gravidez na adolescência sempre foi considerada um problema?
“É preciso compreender que a adolescência é um fenômeno social contemporâneo. Em outros períodos históricos, as mulheres se casavam a partir do momento que menstruavam e já iniciavam a vida reprodutiva desde cedo sem que isso fosse alarmante. Porém a sociedade muda, seus conceitos e preconceitos também mudam, e comportamentos que eram aceitos passam a não se encaixar mais na realidade e podem se transformar em problemas. É interessante lembrar que, na época em que a gravidez na adolescência não era motivo de preocupação, ser “mãe solteira” era considerado um problema muito grave. Hoje, ocorre o inverso. Ou seja, tem uma dimensão social que precisa ser focada. Outra coisa que também deve ser levada em consideração é que há muita diferença se a gravidez ocorre antes dos 15 anos ou entre 16 e 19 anos. Ser uma gestante aos 12 anos não é igual a engravidar aos 18 anos”, explica Anna Chiesa, consultora da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e professora do Departamento de Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

5. Uma menina tem condições de educar uma criança?
Ana Merzel, psicóloga do hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, explica que, “se entendermos educação como tudo que envolve o cuidado de um filho, desde a atenção a todas as necessidades fisiológicas e emocionais, penso que nessa idade ela teria que fazer um esforço extra para dar conta de todas as demandas. Isso porque ela também está terminando parte do seu próprio ciclo de desenvolvimento e amadurecimento psíquico. O adolescente ser a pessoa 100% responsável por prover todo este cuidado é uma tarefa que exige muito de alguém que também está em uma fase de transição”. Na mesma linha, Márcia Rios Ferreira Perigo, psicóloga do Programa de Assistência Médica e Psicológica à Mulher Adolescente da Faculdade de Medicina do ABC, salienta que “a adolescente ainda não está com sua capacidade de tomar decisões. A vinda de uma criança de uma maneira inesperada gera uma alteração radical em sua vida, deixando de realizar ou adiantando o processo de amadurecimento, tendo que assumir compromissos para os quais ainda não está preparada. Nesse contexto, percebe-se que as crianças filhas de mães adolescentes recebem cuidados de todo o núcleo familiar em que a mãe se insere porque, muitas vezes, a adolescente não consegue desenvolver sozinha os cuidados e a adaptação à nova vida e ao novo ser”. Anna Chiesa, do Departamento de Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, alerta que o cuidado de uma criança não é uma responsabilidade somente da mãe: “Uma menina de 16 anos sozinha não tem condições de educar uma criança, mas nenhuma mãe sozinha tem. Educar uma criança é uma tarefa complexa, que deve ser compartilhada por muitos, a começar pelo pai, pela família dos pais, pelos amigos e por toda a rede social”.

6. É comum que as mães culpem os filhos pelas coisas que não podem fazer, já que engravidaram muito cedo?
“Muitas vezes, os adolescentes acreditam que os pais deveriam ser corresponsáveis e coparticipantes no processo de criação dos netos. Como qualquer adolescente, acha que com ele nada irá acontecer ou tudo acontecerá de uma maneira diferente. É importante que se converse com o adolescente sobre que tipo de ajuda poderá oferecer e quais as responsabilidades de cada um e como e quando poderá oferecer auxílio no cuidado dos netos”, ensina Ana Merzel, psicóloga do hospital Israelita Albert Einstein. Anna Chiesa, do Departamento de Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, acrescenta: “Essa culpabilização dos filhos não é específica de adolescentes. Infelizmente, presenciamos a terceirização do cuidado em diversos segmentos sociais e gerações distintas. Para criar um filho, a mãe precisa abrir espaço em sua vida, o que representa deixar de fazer uma série de atividades que eram desempenhadas antes. Isso acontece independentemente da idade da gestante. O que é necessário é que a mãe entenda o quanto pode ser prazeroso e enriquecedor cuidar do filho pequeno, acompanhar suas conquistas e fazer parte da sua vida, em vez de considerar o cuidado somente como dever”.

7. O que os pais podem fazer para evitar uma gravidez precoce?
A psicóloga Ana Merzel garante que “a melhor alternativa ainda é a informação e a prevenção. É importante a adolescente ir ao médico, conversar em casa e conhecer as implicações de uma gravidez precoce”. No entanto, essa abertura para o diálogo tem de ser construída na família muito antes da adolescência, de acordo com Anna Chiesa. “Manter uma atitude de diálogo, proximidade, esclarecimento e amorosidade na família é um elemento muito importante para enfrentar qualquer crise. Essa disposição de diálogo e convivência deve se estender também aos amigos e colegas dos filhos, de modo a transmitir valores que ajudam a estabelecer os limites.”

8. Existe um comportamento nas classes mais baixas, chamado síndrome de Juno: para os meninos, ser pai significa virar homem. Para as meninas, dá status e respeito. Isso acontece mesmo?
A psicóloga Ana Merzel garante que “a melhor alternativa ainda é a informação e a prevenção. É importante a adolescente ir ao médico, conversar em casa e conhecer as implicações de uma gravidez precoce”. No entanto, essa abertura para o diálogo tem de ser construída na família muito antes da adolescência, de acordo com Anna Chiesa. “Manter uma atitude de diálogo, proximidade, esclarecimento e amorosidade na família é um elemento muito importante para enfrentar qualquer crise. Essa disposição de diálogo e convivência deve se estender também aos amigos e colegas dos filhos, de modo a transmitir valores que ajudam a estabelecer os limites.”

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Como conciliar os estudos com a gravidez


Vou perder o ano ou o semestre porque estou grávida? 

Você pode continuar estudando normalmente durante a gravidez, e, a partir do oitavo mês, terá direito, por lei, a quatro meses de licença-maternidade. Nesses quatro meses, você não precisará ir à escola ou faculdade, e pode fazer os trabalhos e as provas em casa. 

A lei que garante esse direito é a 6.202. É bom conversar na secretaria da escola ou da faculdade antes para saber como será o esquema, e exigir o direito. Você precisará apresentar atestado médico. 

Os quatro meses de afastamento podem ser estendidos no caso de você precisar ficar de repouso, por exemplo. Mas, segundo Neide de Aquino Noffs, coordenadora do curso de psicopedagogia da PUC-SP, na faculdade as alunas costumam frequentar as aulas sem problemas até o finalzinho da gravidez. 

Estudo em faculdade particular. Vou precisar continuar pagando a mensalidade? 

Se você tirar a licença-maternidade de quatro meses e fizer os trabalhos e provas em casa, continuará pagando normalmente a mensalidade. É como se você estivesse indo às aulas. 

Para quem está na faculdade, existe também a opção de trancar a matrícula. Aí você não vai precisar pagar a mensalidade, mas por outro lado vai ficar realmente afastada do curso, e a formatura vai atrasar. Você decide a duração do afastamento -- pode ser um semestre, dois ou mais. Só que o risco de acabar desistindo de voltar é maior, e isso não é legal para o seu futuro. 

Caso você tranque no meio do semestre, quando voltar terá de cursar (e pagar) aquele semestre desde o começo. 

O que vale mais a pena no ensino superior, tirar licença ou trancar? 

"Dependendo do tipo de curso e da época do ano, às vezes vale mais a pena trancar a matrícula", explica a professora Neide Noffs. 

É uma decisão que depende muito do caso específico. Preparamos uma pequena lista para ajudá-la a pensar nos fatores: 

Pode valer mais a pena sair de licença quando: 
- A universidade ou escola são gratuitas 
- O curso é mais abstrato e dá para aprender o conteúdo por conta própria, com leituras, por exemplo 
- O bebê vai nascer perto do final do semestre, incluindo o período de férias, e aí você não perde tantas aulas (se o bebê nascer em novembro, por exemplo, você pode tirar os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro) 
- Você tem uma boa infra-estrutura em casa para ajudar a tomar conta do bebê na volta às aulas 
- Você está no finalzinho do curso: é melhor terminar logo de uma vez 
- Você sente que, se trancar a matrícula, corre o risco de não voltar mais a estudar 
- Você está tendo uma gravidez tranquila e se sentindo bem 

Pode valer mais a pena trancar a matrícula quando: 
- A mensalidade é muito alta e o curso é de especialização, por exemplo. Com a licença, você continuaria pagando as mensalidades mesmo sem frequentar as aulas 
- O conteúdo é muito difícil e exige a presença na sala de aula 
- O curso é mais prático que teórico 
- O bebê vai nascer bem no começo do semestre (por exemplo em março: você vai ficar todo o primeiro semestre afastada) 
- O mais legal do curso é o professor 
- Você não faz a menor ideia de quem vai ficar com o bebê na sua volta aos estudos
- Você não se incomoda de atrasar um pouco sua formatura 
- Sua gravidez está complicada e você está se sentindo muito mal 

Se você acabou não fazendo nenhuma das duas coisas e simplesmente deixou de frequentar as aulas, sempre é tempo de conversar na administração da escola ou da faculdade, para achar a melhor solução. 

Vou conseguir levar as duas coisas? 

Com ajuda e paciência, você tem tudo para conseguir estudar e cuidar da gravidez até ter o seu bebê. 

Para quem está na escola, é preciso prestar bastante atenção na alimentação e fazer o pré-natal desde o começo. Pode ser que você precise faltar às aulas de vez em quanto por conta do mal-estar e do cansaço, mas, com a ajuda dos amigos e dos professores, dá para acompanhar o que perdeu. 

Quando isso acontecer, pense que o dia seguinte será melhor. Os níveis de energia variam muito na gravidez, assim como o seu estado de espírito, por isso não tome nenhuma decisão sem pensar muito bem. 

A professora Neide Noffs dá alguns conselhos: 

• Antes de tomar a decisão de tirar a licença ou trancar a matrícula, converse com um orientador pedagógico da instituição onde você estuda. Essa pessoa tem experiência no assunto e pode ajudá-la a escolher a melhor opção. Faça isso também se estiver com dificuldade de acompanhar as aulas. 

• Vá conversando com os professores antes da licença, para que eles já pensem num esquema para ajudar você. Eles podem antecipar provas e trabalhos, por exemplo, e fechar sua nota antes da do resto da classe. 

• Peça a uma amiga ou amigo de sala para servir como "ponte" entre você e a escola ou faculdade. Essa pessoa pode ir dando notícias suas para colegas e professores, além de levar e trazer trabalhos e avaliações. Melhor ainda, se for uma amigona mesmo, estudar um pouco com você e transmitir o conteúdo das aulas. 

• Programe-se para, no primeiro mês com o bebê, pensar o mínimo possível nos estudos e se dedicar a aprender a função de mãe. "Dê um tempo para seu organismo se recuperar, seu lado emocional também", diz a professora. 

• Ao mesmo tempo, não se afaste totalmente do mundo escolar ou universitário, mesmo durante a licença ou trancamento. Telefone para amigos para saber como estão as coisas, avise quando o bebê nascer e o leve um dia à aula para mostrar aos colegas e professores. 

Mantendo esse vínculo, você não fica tão isolada num mundo de fraldas (e combate o estresse tão comum no pós-parto), e perde aquela sensação de que não vai conseguir acompanhar a classe quando voltar. 

Algumas escolas e faculdades têm certa infra-estrutura para alunas com bebês -- creche, lugar para amamentar. Informe-se direitinho antes de o bebê nascer para já pensar num jeito de conciliar o estudo e a amamentação. Você e o pai do bebê também podem alterar seus horários, assim enquanto um estuda ou trabalha de dia, o outro fica com o bebê, e o contrário à noite. 

Não tenho energia, só durmo nas aulas 

O sono é marca registrada da gravidez, principalmente no começo e no final, e dificulta bastante a vida de quem estuda (mais ainda de quem estuda E trabalha!). 

Quando a coisa estiver muito difícil, tente aproveitar um intervalo entre as aulas para encostar a cabeça e fechar os olhos, nem que seja só por 15 minutos. 

Esse é um dos motivos para explicar por que é bom que os coordenadores da escola ou faculdade saibam que você está grávida. Desse jeito, há mais chance de os professores entenderem sua necessidade de dormir, e talvez vocês possam chegar a alguma alternativa que funcione melhor (mudar o horário da aula, fazer o trabalho em casa etc.). 

Por falar em trabalhos, faça de tudo para evitar que eles se acumulem ou fiquem para a última hora (nunca se sabe como você vai estar se sentindo naquele último dia antes do prazo). O que você pode fazer é sempre se mostrar interessada nas aulas, o que pode colaborar para a boa vontade dos professores. 

A atividade física até ajuda a melhorar seus níveis de energia. Por isso você não precisa ser dispensada das aulas de educação física: basta adaptar algumas atividades que possam ser mais perigosas. 

Lembre-se também de comer bem. Às vezes a anemia pode estar roubando o que resta das suas forças. Só não adianta se entupir de café e refrigerante, porque aí não vai ser legal nem para você nem para o bebê. 

Não tenho cabeça para estudar, só penso no bebê 

É absolutamente normal que isso aconteça. A chegada de um bebê não é coisa pouca. Mas pense que isso também acontece com quem trabalha: muitas vezes fica difícil se concentrar, e é melhor ficar sonhando com o nome, com o quartinho, com a carinha que ele vai ter... Ou então quebrando a cabeça com as complicações: onde morar, casar ou não, como pagar tanta coisa... 

Todo mundo passa por isso, e as mulheres que trabalham acabam tendo que segurar a barra das duas coisas. Faça o máximo para conseguir a mesma coisa. Pode parecer uma frase absurda, mas a obstetra Isabel Pinhal, da Maternidade-Escola da UFRJ, diz com todas as letras: "Filho não é projeto de vida." 

Neste momento, você só consegue pensar no bebê, mas o tempo vai passar e daqui a 20 anos ele estará na faculdade, talvez tão independente quanto você é hoje, e você ainda terá muita coisa para fazer da vida. Invista agora na sua formação e no seu futuro, para não ter de começar do zero lá para a frente. Com 40 e poucos anos, você estará cheia de energia, mas pode ser bem mais complicado para mudar de carreira ou iniciar uma nova atividade profissional, além da de mãe.

Fonte: Babycenter Brasil